A primeira operação de transbordo, através de um navio classe VLCC (Very Large Crude Carrier), com a atracação da embarcação para a Petrogal, ocorreu no Terminal de Petróleo (T-OIL) da Açu Petróleo entre os dias 15 e 28 de maio. As manobras feitas pela Praticagem do Rio de Janeiro foram realizadas com sucesso. Os navios petroleiros da classe VLCC estão entre os maiores do mundo, com capacidade de armazenamento de até dois milhões de barris de óleo cru. Desenvolvido pela Açu Petróleo, em parceria com Prumo Logística e a Oiltanking, o T-Oil é o único terminal privado brasileiro com capacidade para receber navios desta envergadura.
– O prático é o responsável por toda segurança da manobra. Ele que irá avaliar se ela tem condições de ser realizada. Por exemplo, nós temos parâmetros, limites de ventos, correntes, de altura de onda. E quando o prático embarca, ele vai verificar se esses parâmetros estão corretos, dentro dos limites aceitáveis podendo prosseguir ou até abortar a manobra – explicou o diretor de Operações da Praticagem Rio, André Kouzmine lembrando que: – Estando tudo ok, o prático vai manobrar o navio, chamar os rebocadores, conduzir toda a operação em segurança até que o navio esteja atracado.
De acordo com Kouzmine, nesse tipo de manobra, primeiro o navio VLCC é atracado ao terminal, depois chegam os navios carregados com combustível (ambos cercados por barreiras de contenção a derrame no mar). Eles atracam a contrabordo e transferem a carga. Quando o primeiro navio está completamente cheio é marcada a manobra de desatracação:
– A saída é mais complicada porque o navio fica muito pesado. Foi a primeira operação que fizemos com um navio desse tamanho, um VLCC, totalmente carregado e saindo navegando no canal. A manobra foi realizada com sucesso, tanto a entrada quanto a saída. Essa operação vai começar a ser mais rotineira.
Conforme a Açu Petróleo, as operações com este tipo de embarcação apenas se tornaram possíveis devido ao investimento de R$ 400 milhões, realizado no ano passado, com as obras de dragagem que levaram a profundidade nominal do terminal para 25 metros. Segundo Kouzmine, a Praticagem do Rio também acompanhou todo processo que culminou com a manobra do VLCC.
– Uma equipe de práticos foi para um simulador nos Estados Unidos. Eles foram avaliar se esse navio teria condições de entrar no Açu. É um navio muito grande. São 20 metros de calado. Durante essas simulações, chegou-se à conclusão que tinha que aumentar a bacia de manobra, aonde o navio chega e faz o giro. Ela não era adequada para as dimensões desse navio e nem o canal. Com isso, a Praticagem propôs uma alteração na bacia de manobra e o uso de equipamentos eletrônicos, como uma boia virtual – lembrou o diretor de Operações da Praticagem Rio esclarecendo que: – Também sugerimos os números de rebocadores para que essa manobra fosse feita com segurança. Decorrente dessa simulação, a Açu Petróleo contratou uma dragagem. Eles aumentaram a bacia de manobras, a largura do canal e a extensão. Só quando todos esses requisitos foram concluídos, uma boia virtual colocada no lugar e o número de rebocadores suficientes é que a manobra pode ser realizada.
Ainda de acordo com Kouzmine, a Praticagem do Rio teve importância na preparação do terminal para receber esse tipo de navio, principalmente na parte de segurança, evitando assim que acontecesse um acidente, uma poluição ambiental, um vazamento ou derramamento de óleo, o navio também poderia encalhar e até colidir:
– Além do tamanho da bacia de manobras, avaliamos no simulador quais eram os parâmetros máximos para que esse navio pudesse realizar essa manobra. Qual era o limite máximo de vento, a corrente, a altura de onda máxima. Depois de toda essa avaliação no simulador, estabelecemos os parâmetros para que a manobra pudesse ser realizada com sucesso.
Atualmente o Brasil já exporta o equivalente a um milhão de barris de petróleo/ dia, sendo que mais de dois terços deste volume é exportado utilizando-se um navio da classe VLCC.
– A atracação do primeiro VLCC é um grande marco para a Açu Petróleo. Iniciamos nossa operação em agosto de 2016 e, desde então, avançamos muito no processo de desenvolvimento do terminal. Hoje, o T-Oil já se apresenta como a melhor alternativa para a exportação de petróleo no Brasil, aliando excelência operacional, segurança e eficiência – disse Victor Snabaitis Bomfim, Presidente da Açu Petróleo.

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